A tireoide na gestação exige decisões que conciliem risco materno-fetal, evidência disponível e acompanhamento longitudinal. Em 2026, a atualização da American Thyroid Association (ATA) reposicionou uma dúvida frequente: o que fazer com pacientes eutireoideas, mas TPOAb positivas, no planejamento reprodutivo ou durante a gravidez?

A principal mudança é clara: a positividade isolada para anticorpos antiperoxidase tireoidiana não deve ser tratada como indicação automática de levotiroxina (LT4). Em vez de prescrição preventiva, a diretriz prioriza monitoramento da função tireoidiana e intervenção quando houver alteração funcional persistente e contexto clínico compatível.

A mudança de racional clínico

Historicamente, o TPOAb positivo foi associado a maior atenção em pacientes que planejavam gestação, apresentavam infertilidade ou tinham histórico de perdas gestacionais. Entretanto, associação de risco não equivale, por si só, a benefício terapêutico com LT4.

A atualização da ATA enfatiza que, em mulheres eutireoideas TPOAb positivas, a levotiroxina não deve ser oferecida de rotina para:

• Infertilidade;
• Planejamento de tratamento de fertilidade;
• Histórico de perdas gestacionais recorrentes;
• Gestação em curso com função tireoidiana preservada.

TPOAb positivo não é sinônimo de hipotireoidismo

O anticorpo informa risco e contexto imunológico, mas não substitui a avaliação de TSH, T4 livre, sintomas, histórico e evolução laboratorial. Assim, a presença de TPOAb deve qualificar o seguimento, e não automatizar uma prescrição.

O que muda no acompanhamento

Na prática, a diretriz desloca o foco para vigilância estruturada. Para mulheres eutireoideas TPOAb positivas que planejam gestar, a sugestão é reavaliar TSH e T4 livre a cada três a seis meses; durante a gravidez, o seguimento é mais frequente, especialmente na primeira metade da gestação.

• Confirme se a alteração de TSH é persistente antes de decisões em quadros leves;
• Considere a fase gestacional em que você identifica a disfunção;
• Individualize a conduta conforme gravidade bioquímica, sintomas e antecedentes;
• Revise a necessidade de continuidade da LT4 no pós-parto da sua paciente

Tireoide na gestação: menos automatismo, mais vigilância

A virada da ATA 2026 reforça uma premissa relevante: em tireoide na gestação, conduta baseada em risco não é o mesmo que tratamento preventivo indiscriminado. Para a paciente eutireoidea TPOAb positiva, acompanhar com critério pode ser mais apropriado do que medicalizar uma condição sem demonstração de benefício clínico com LT4.

Assim como em outras decisões endócrinas na saúde da mulher, a prescrição deve partir de análise individualizada de risco, sintomas, exames e objetivos terapêuticos. Veja também como individualizar terapia hormonal em casos complexos, a atualização das diretrizes de terapia hormonal na menopausa e o conteúdo sobre evidências clínicas na perimenopausa.

Por fim, a atualização da ATA 2026 reposiciona a tireoide na gestação ao separar positividade de TPOAb de indicação automática de LT4. O cuidado passa por rastreio laboratorial, identificação oportuna de disfunção e decisão individualizada.

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Referências:

  • https://www.thyroid.org/hypothyroidism-in-pregnancy/
  • https://caduceucursos.com.br/atualizacao-das-diretrizes-de-terapia-hormonal-na-menopausa-2026/
  • https://caduceucursos.com.br/cursos/pos-multidisciplinar/pos-em-saude-integral-da-mulher/