Ozonioterapia é regulamentada pelo CFM: entenda o que muda para a prática médica no Brasil

O Conselho Federal de Medicina (CFM) bateu o martelo: a ozonioterapia agora é oficialmente um procedimento médico complementar no Brasil. A decisão, publicada recentemente em uma resolução, encerra um longo debate e define regras claras para o uso da técnica, que vinha sendo discutida há anos entre Anvisa, Congresso Nacional e entidades de saúde.

O que o CFM liberou?

De acordo com o texto da resolução, a ozonioterapia poderá ser usada como tratamento adjuvante, ou seja, para complementar terapias já consagradas. A aprovação não é irrestrita e se concentra em duas áreas principais:

Feridas crônicas: a técnica pode ser usada para auxiliar a cicatrização de lesões de pele de difícil tratamento, como úlceras em diabéticos e pessoas com problemas de circulação.

Dores articulares: é uma opção complementar para quadros de dor e inflamação nas articulações, especialmente em casos de doenças degenerativas.

A resolução é clara ao restringir a indicação, evitando o uso em tratamentos que ainda não têm comprovação científica, como câncer ou doenças autoimunes. O objetivo do CFM é garantir que a técnica seja usada com segurança e respaldo ético.

O que é ozonioterapia?

A terapia usa uma mistura de ozônio () e oxigênio () para estimular a oxigenação dos tecidos, reduzir a inflamação e combater micro-organismos. A aplicação pode ser feita de diversas formas, como injeções, uso tópico em feridas ou insuflação de gás.

A ozonioterapia já é usada há décadas em países como Alemanha e Itália, e agora, com a regulamentação, ganha um novo status no Brasil.

Por que a discussão durou tanto tempo?

A controvérsia em torno da ozonioterapia não é nova. A Anvisa já tinha incluído a técnica na lista de práticas integrativas em 2018. Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que autorizava profissionais de saúde de nível superior a utilizarem a técnica, mas ainda faltava a regulamentação específica do CFM para a prática médica.

Com a nova resolução, os médicos agora têm o respaldo necessário para usar o procedimento, mas com um limite bem definido, o que protege tanto os profissionais quanto os pacientes.

O que muda para pacientes e médicos?

Para os médicos, a decisão traz maior segurança jurídica e ética. Eles podem usar a ozonioterapia sem risco de sanções, desde que sigam as indicações e limites estabelecidos pelo CFM.

Para os pacientes, a regulamentação abre uma nova porta para tratamentos complementares, especialmente em casos complexos como feridas crônicas, que afetam a qualidade de vida de muitas pessoas.


O que podemos esperar agora?

Com a oficialização, a expectativa é que a pesquisa sobre a ozonioterapia avance no Brasil. Universidades e sociedades médicas devem intensificar os estudos para que a técnica seja cada vez mais consolidada como uma ferramenta terapêutica com base em evidências científicas sólidas.

Referências Bibliográficas

  1. Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução CFM nº 2.457/2023. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2023.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Portaria nº 72, de 20 de dezembro de 2018.
  3. Presidência da República. Lei nº 14.646, de 2 de agosto de 2023. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2023.
  4. Menéndez, S. et al. Ozono: Aspectos básicos y aplicaciones médicas. La Habana: Centro de Investigaciones del Ozono, 2015.
  5. Elvis, A. M.; Ekta, J. S. Ozone Therapy: A Clinical Review. Journal of Natural Science, Biology and Medicine, v. 2, n. 1, p. 66-70, 2011.