A endometriose exige investigação que considere tanto a apresentação clínica quanto os objetivos da paciente. Dismenorreia, dispareunia profunda, disquesia, sintomas urinários cíclicos e infertilidade podem levantar a suspeita. Entretanto, a equipe precisa interpretar esse conjunto dentro de uma avaliação individualizada.

A diretriz da ESHRE modificou a centralidade da laparoscopia no percurso diagnóstico. Assim, o médico pode combinar avaliação clínica, imagem e tratamento empírico, conforme o contexto, sem exigir confirmação cirúrgica para iniciar toda intervenção.

Endometriose: Como investigar sem depender exclusivamente da cirurgia?

A ESHRE recomenda ultrassonografia ou ressonância magnética na investigação diagnóstica. Contudo, um exame negativo não exclui endometriose, principalmente quando a paciente apresenta doença peritoneal superficial. Portanto, o laudo precisa integrar o raciocínio clínico, e não encerrá-lo isoladamente.

Quando considerar laparoscopia?

O médico pode considerar laparoscopia quando a imagem não identifica lesões e o tratamento empírico falha, não atende às necessidades da paciente ou apresenta inadequação clínica. Antes disso, a decisão compartilhada deve esclarecer benefícios, riscos e alternativas. Na consulta, vale organizar a investigação em torno de:

• Características, intensidade e repercussão funcional da dor;
• Relação dos sintomas com o ciclo menstrual;
• Tratamentos prévios e resposta clínica;
• Desejo atual de gestação;
• Achados de imagem e hipóteses diagnósticas alternativas.

Além disso, a ESHRE não recomenda biomarcadores em sangue, tecido endometrial ou outros fluidos como estratégia diagnóstica rotineira. Consequentemente, o médico não deve usar um marcador isolado para confirmar ou afastar a doença.

Controle da dor: Como escolher o tratamento?

A diretriz inclui contraceptivos hormonais combinados, progestagênios e agonistas ou antagonistas de GnRH entre as opções para reduzir a dor. Entretanto, a escolha depende de contraindicações, tolerabilidade, tratamentos anteriores e preferências da paciente.

Primeira escolha e escalonamento

Contraceptivos combinados e progestagênios oferecem alternativas para o manejo inicial. A ESHRE também recomenda o sistema intrauterino com levonorgestrel e o implante de etonogestrel para redução da dor associada à doença. Por outro lado, agonistas de GnRH geralmente ocupam a segunda linha por causa do perfil de efeitos adversos.

Quando o médico escolhe essa estratégia, deve considerar terapia de proteção hormonal, ou add-back, para reduzir sintomas hipoestrogênicos e perda óssea. A cirurgia também pode integrar o tratamento. No entanto, sua indicação exige ponderação, sobretudo
quando a intervenção envolve endometriomas e pode comprometer a reserva ovariana.

Fertilidade e acompanhamento: Por que os objetivos mudam a conduta?

O controle da dor e a busca de gestação não representam o mesmo objetivo terapêutico. Por isso, o médico deve perguntar sobre planejamento reprodutivo antes de definir a estratégia. A supressão hormonal não constitui tratamento para aumentar a fertilidade em mulheres com endometriose que desejam engravidar. Nesse cenário, a equipe precisa avaliar outros fatores e discutir,
conforme a indicação, cirurgia ou reprodução assistida.

A endometriose demanda um percurso flexível, e não uma sequência obrigatória de exames e procedimentos. Portanto, o manejo deve integrar sintomas, imagem, resposta terapêutica e projeto reprodutivo. Além disso, a equipe deve encaminhar pacientes com doença profunda a centros com experiência e reavaliar a conduta quando o tratamento não atende aos objetivos acordados.

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Referências:

  • https://caduceucursos.com.br/cursos/pos-multidisciplinar/pos-em-saude-integral-da-mulher/
  • https://caduceucursos.com.br/implantes-hormonais/
  • https://caduceucursos.com.br/ultrassom-point-of-care/
  • https://caduceucursos.com.br/glp-1-nao-deve-ser-isolado/